terça-feira, 10 de junho de 2008

MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA - UMA SATISFAÇÃO IMEDIATA AOS DESEJOS DO INDIVÍDUO?

Os meios de comunicação de massa são capazes de atingir simultaneamente grandes camadas da população, divulgando idéias e formando pensamentos que criam moldes para uma sociedade manipulável. Estas idéias são preparadas para um público mediano e infantilizado, desconsiderando a capacidade crítica desses indivíduos.

Com os meios de comunicação agindo como disseminadores - de idéias, informações, opiniões, etc. - a indústria cultural ganha um poder de persuasão imenso, não precisando justificar suas ações, apenas “jogá-las” para um público receptivo a esses ideais pré-estabelecidos. Como afirma Marilena Chauí (2003):


De fato, como a dia nos infantiliza, diminui nossa atenção e capacidade de pensamento, inverte realidade e ficção e promete, por meio da publicidade, colocar a felicidade imediata ao alcancede nossas mãos, transforma-nos num público dócil e passivo. ( p.333)

Assim, se valendo do poder que a mídia tem, produtos são apresentados de forma massificada pela indústria cultural que acaba oferecendo uma satisfação imediata aos anseios e problemas cotidianos


O objetivo dos meios de comunicação é apresentar idéias e informações que não imponham e sim estimulem o fazer pensar, contestar, criticar etc, caráter para qual foi designada. Porém, o que vemos hoje na maioria dos profissionais é a manutenção do modelo de sociedade que aí está. Produções com repetição de fórmulas que um dia deram certo, como exemplo o livro Código da vinci,que trouxe consigo Decifrando o Código,Muito além do Código,A verdade por traz do Código da vinci,livros que são remodelados e apresentados apenas com algumas modificações em relação ao primeiro.


Um outro produto apresentado pelos meios de comunicação de massa são os programas de aconselhamento, que nos passa claramente essa sensação de satisfação imediata aos nossos problemascotidianos.

Nesses programas são discutidos problemas familiares, aonde as pessoas vão em busca de dicas de como proceder na vida familiar, tendo opiniões de especialistas, psicólogos, que graças à praticidade, por oferecer soluções prontas, acabam por ganhar assim o telespectador, implementando uma forma de comportamento em toda sociedade submetida a estas informações, utilizando o próprio ócio humano como uma forma de mecanizá-lo, mecanização esta que transformam e subvertem ideais.

Ao apresentar esses produtos a Indústria Cultural pratica o reforço das normas sociais, impostas sem discussão. Oferece ilusoriamente a sensação de satisfação, vendendo do estilo de vida ao estado de espírito, transformando o apreciador em um simples consumidor de produtos fabricados em série, que quando aceitos pela massa, geram a fabricação de várias edições seqüenciais, criando um vinculo entre consumidor e produção.

Podemos citar como exemplo os livros de auto-ajuda que expressam exatamente esta ligação, meras cópias e reproduções, apenas o velho com cara de novo, modificando apenas o público alvo e as temáticas:ora felicidade; ora dinheiro; sucesso; família. Para homens, mulheres, crianças. Como podemos identificar nas imagens abaixo:


Nesses livros, percebemos a influência que os meios de comunicação têm sobre a satisfação dos desejos e indagações comuns aos seres humanos, todos querem ser felizes, ter dinheiro, sucesso, amor etc, que fazem com que essas produções passem à sensação de exclusividade, funcionando como um molde considerado “ideal”, para todo e qualquer individuo. Porém, acreditamos que cada pessoa possui maneiras e formas diferentes de agir a determinadas situações, e deveriam utilizar o que é oferecido pelos meios de comunicação como mais um elemento para a formulação de conceitos e não “o” elemento determinante.

Com seus produtos, a Indústria Cultural pratica também uma outra função, promove a deturpação e a degradação do gosto popular; simplifica ao máximo seus produtos, obtendo uma atitude sempre passiva do consumidor. Assim, segundo Marilena Chauí(2003):


Um especialista- é sempre um especialista- nos ensina a viver, um outro nos ensina a criar os filhos, outro nos ensina a fazer sexo, e assim vão se sucedendo especialistas que nos ensinam a ter um corpo juvenil e saudável, boas maneiras, jardinagem, meditação espiritual, enfim, não há um único aspecto de nossa existência que deixe de ser ensinada por um especialista competente. ( p.333a)

Desse modo, os meios de comunicação de massa que têm como função a informação, entretenimento, educação e diversão “gratuita”, sem possíveis interesses, no entanto, não é o que vemos, mas sim uma simulação de democracia, de difusão cultural, de oportunidades iguais, uma manipulação das informações de acordo com interesses particulares. Ninguém é impelido a nada, seja contra ou a favor, mas somos sim induzidos a continuar como estamos inertes e totalmente satisfeitos com tudo que nos é mostrado. Expressado por Adorno (1978 Quando afirma que:


A idéia de que o mundo quer ser enganado tornou-se mais verdadeira do que, sem, dúvida, jamais pretendeu ser. Não somente os homens caem no logro, como se diz, desde que isso lhe dê uma satisfação por mais fugaz que seja, como também desejam essa impostura que eles próprios entrevêm; esforçam-se por fecharem os olhos e aprovam, numa espécie de autodesprezo, aquilo que lhes ocorre e do qual sabem porque é fabricado.(Adorno,1978, p.293)

Temos como mais um exemplo as novelas, por apresentarem em seu contexto, situações cotidianas que também funcionam como referência para os telespectadores, refletindo a emoção de suas tramas na vida pessoal dos mesmos. Criando moldes e expectativas baseadas nas histórias que também são repetitivas, mais sempre reformuladas. Como menciona Briggs(2004):

“As séries atuais de televisão copiam o modelo das novelas radiofônicas, que, por sua vez, se moldam nas histórias em capítulos de revistas do século XIX.” ( p14).

Portanto,

A indústria cultural faz o consumidor acreditar que o que está sendo oferecido, além de indispensável, é o suficiente para o momento, mas sempre instigando a busca de novos produtos para atender a novas necessidades que ela fará surgir.

A falsa promessa de felicidade está estampada nos slogans usados nas propagandas, transmitindo, assim, um modelo de felicidade burguesa, e hábitos da sociedade capitalista. (COSTA, 2008, p. 3).


Ilusoriamente, o consumidor se vê satisfeito com o que lhe é apresentado, diante dos fatos, uma mudança se faz necessária. Possuindo a capacidade de distinguir e absorver o necessário para sua formação, o consumidor só depende de um novo formato de divulgação com maiores opções e um maior aprofundamento nos conteúdos abordados, e não da forma alienante e superficial que acontece atualmente

Podemos então concluir que a satisfação imediata aos anseios e expectativas, apresentadas pela indústria cultural impõe de forma limitada e infantilizada aspectos que tornam o individuo alienado, passivo e desinformado
.
Quando na verdade deveria ser uma forma de democratizar e socializar conhecimentos,apresentando caminhos e opções que oferecesse ao consumidor uma maior abrangência em diversos assuntos, que aprimorassem o leque de conhecimentos e formas de agir em situações cotidianas, profissionais e pessoais.

Somente através do desenvolvimento da criticidade dos indivíduos, conseguiremos desmistificar a satisfação imediata que nos é oferecida l pelos meios de comunicação de massa.

Nenhum comentário: